terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O Tal do Equilíbrio Emocional


Apesar de raramente deixar transparecer, os dias tem sido difíceis. Vez por outra sou tomado por um velho aperto angustiante no peito  que me tira o ar; há muito tempo eu não o sentia, falar a verdade, só me lembro de uma ocasião que me deparei com essa sensação sufocante; foi por conta de ter que enfrentar um dos piores acontecimentos da minha vida, mas ela permaneceu em mim por um período depois se foi, e eu voltei a respirar sem interferências.

Sei que existem pessoas que abraçam esse tipo de angustia e a levam consigo para o resto da vida, amargando a jornada e tirando todo o colorido da sua existência. De uma maneira inconsciente essas pessoas acreditam que vale a pena continuar ruminando o sofrimento, pra servir ou como forma de autopunição ou para manter o fato vivo em si; para os enlutados é como se a dor de certa forma contraditoriamente aliviasse a saudade mantendo os envolvidos sempre presentes. 

Eu não penso assim, se tiver doendo eu digo o quanto está; se me arrancar lágrimas, que sejam todas de uma vez; se for lamentável eu lamento profundamente; mas quando eu me levantar e tomar um banho, seja no mar, no lago ou no chuveiro, podem ter certeza que estou pronto pra seguir, e a mesma dor, lágrima e lamento, agora se tornarão ferramentas no meu atelier, onde pintarei novos quadros, talvez mais abstratos e reflexivos, porém não menos belos.

As pessoas me perguntam: “Nossa Léo, de onde você tira tanta força?” Bom, eu não me considero forte, mas como a palavra (equilíbrio) sugere, eu me sinto equilibrado. E me fiz a mesma pergunta, de onde vem? E não foi difícil achar a resposta.

Antes de tudo, percebo que meu espírito está totalmente mergulhado em uma convicção: DEUS ME AMA PROFUNDAMENTE.. A partir disso aprendi a ver algumas de suas manifestações de amor prático, e usá-las quando mais preciso.  

Penso que uma das maiores dessas epifanias de Deus é nos dar pessoas, e quando aprendemos a arte da convivência, do respeito às diferenças, e do absorver do outro as partículas divinas para a formação do nosso SER-saudável, é aí que vai se configurando nossa estabilidade emocional.  Eu explico...

Quando a insidiosa tristeza bate a minha porta, raramente sou eu que atendo, e quando atendo não vou só, sempre tem alguém ao meu lado, na frente, atrás ou dentro. rs.. Quer saber?! A tristeza odeia lhe encontrar acompanhado, e eu particularmente carrego um montão de gente e seus significados dentro de mim, aí está meu segredo meus caros..

Nesse momento da vida, tem sido até engraçado, eu tenho feito piada com a tristeza... rs toda vez que ouço seu toc toc toc na porta, eu chamo Manu (meu filho sorridente) e peço pra ele atender, como ele não tem noção de nada, ele atende com aquele sorriso angelical, e nos dias mais sapecas, já atende dando língua.. rsrs. Você acha que a dona tristeza vai querer entrar? Ah não! Ela vira-se e dá as costas sem me desejar ao menos um mal dia.

Uma experiência dessa não tem como não dá em música, daí eu a ensino a Manu e mesmo balbuciando as primeiras palavras, juntos fazemos o que ensinou o poeta Caetano... Cantando mandamos a tristeza embora.

E assim vou seguindo, sem pressa e sorrindo.

Desejo a todos um natal equilibrado. rsrs..

Léo Dias.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Eterna Coelhinha


♪♫Eu pensei, que pudesse esquecer certos velhos costumes. Eu pensei, que já nem me lembrasse de coisas passadas. Eu pensei que pudesse enganar a mim mesmo dizendo que essas coisas da vida em comum não ficavam marcadas..

Não pensei, que me fizessem falta umas poucas palavras, dessas coisas simples que dizemos antes de dormir.

De manhã o bom dia na cama a conversa informal, o beijo de despedida.. 

Os costumes me falam de coisas, de fatos antigos, não me esqueço das tardes alegres com nossos amigos. Um final de programa fim de madrugada, o aconchego na cama a luz apagada, essas coisas nem mesmo com o tempo se pode esquecer..

E então eu me vejo sozinho como estou agora, e respiro toda a liberdade que alguém pode ter. De repente ser livre até me assusta, me aceitar sem você certas vezes me custa, como posso esquecer dos costumes se nem mesmo esqueci de você.
♪♫

(Adaptação da música: Costumes, de Roberto Carlos / Erasmo Carlos)


Hoje minha coelhinha faria 29 anos..

Vivi e tenho visto coisas que só me levam a uma conclusão: a vida vista desse ângulo não tem nenhum sentido. Ou alguém ousará dizer-me que faz algum sentido Manu crescer sem mãe, ou o fato dela não estar aqui para me defender das calunias absurdas que levantaram contra mim, ou Ana perder a filha que lhe dava mais afeto e auxílio? Não meus caros, não tem sentido..

Mas o que falta em sentido pra vida, sobra em beleza e esperança, e isso só é possível por causa do amor.

Beleza pelo fato de termos a divina condição de eternizar as pessoas em nós e de certa forma podermos ressuscitá-las através do que em nós restou delas e do profundo significado de cada momento.

É um fato, quem caminha comigo e quem mais vier a caminhar, mesmo não sabendo irá se esbarrar com um pedaço de Rafa que está em mim, pois não há como amar alguém e não ter sua alma moldada por essa convivência. 

A beleza da vida está nessa troca, nessa teia que nos envolve e forma nosso ser a partir dessa partilha de vida com as pessoas que misteriosamente cruzam nossos caminhos. 

Em se tratando de mistério, é nele que se configura minha esperança, pois as centenas de teses que existem a respeito da vida após a morte no fundo só vem confirmar uma confiança que habita o interior de cada um nós; é que deve ter algo muito bom por traz dessa cortina que nos separa dessa existência.

Pensar que verei minha coelhinha de novo acalenta meu coração, e imaginar que ela poderá desfrutar da eternidade com Emanuel, mais ainda. Porém tenho motivos ainda mais concretos para seguir e celebrar essa vida sem sentido. Nossos momentos inesquecíveis, cada descoberta, cada sorriso, superações e recomeços são atributos da nossa história que nunca vou esquecer.

Falando de recomeços aqui aproveito pra agradecê-la.. Amor, abrigado pela semana mais incrível de toda minha vida, nossa despedida não poderia ter sido melhor. Muito obrigado, mas muito obrigado mesmo por antes de partir me deixar uma lição imensurável, de que é possível superar-se e reinventar-se.

Saudades,

Minha eterna coelhinha. 

Léo Dias

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Qualidade de vida

Apesar de reconhecer seus benefícios, confesso que não sou um fã de carteirinha de acordar cedo para fazer exercícios, mas eu fui pra cama com essa idéia fixa na cabeça, creio que devido ao fato de não ter conseguido ir à academia.

A noite já havia sido maravilhosa, curtir uma de segurador de vela para um casal de amigos especiais que estavam em lua de mel por aqui, Rodnei e Ábia. Vivi um daqueles “momentos” que citei no ultimo post..

Pela manhã sonhei que um amigo me avisava que estaria correndo bem cedo na praia, dei um pulo do sonho pra realidade, e com certeza essa atitude não partiu só de uma necessidade física ou estética, meu ser parecia pedir por aquilo, era como se pressentisse algo. 

O sol nascia por trás dos coqueiros da ilha da saudade escondendo-se timidamente em uma nuvem cortinada, gerando um nível de calor muitíssimo agradável. Após correr por vinte minutos na areia fofa, passei pra areia mais dura pra percorrer mais vinte; foi quando após cinco minutinhos de um leve chuvisco, apareceu atrás das montanhas um gigantesco e intenso arco-íris, banhando-me de diversidade e enchendo minha alma de gozo.

Já havia presenciado inúmeros arco-íris, mas nada parecido com aquele, a vontade que dava era de atravessar a montanha e ir à fonte daquele gigante colorido para apanhar as guloseimas que meus livros infantis afirmavam existir lá.   

Não demorou pra eu perceber que ganhei muito mais que guloseimas, a sensação que percorria meu ser era sem igual. Foi aí que me lembrei o que uma amiga havia me falado ao telefone na noite anterior, era como se ouvisse a voz dela dizendo: “eu quero é estar bem Léo, isso que me importa!” Daí pensei, deve ser isso que chamam de qualidade de vida e saúde integral, aquela máxima, “mente sã, corpo são”, pois era como se naquele exato momento eu estivesse preparado para tudo, da dor ao prazer.

A impressão foi de estar pronto para acolher a saudade sem dor, e sim como um atributo do tamanho do valor de quem se foi ou está longe, e seu significado na minha história. De ressignificar os traumas com leveza, de canalizar as frustrações relacionais para um amadurecimento e otimismo para as próximas e mesmo às antigas. Até mesmo de encarar a realidade do risco iminente da morte, vivendo e muitooo!

Então aqui vai uma receita básica, sem necessariamente precisar ser rigorosamente na mesma ordem; escolha alguns dias para acordar bem cedinho e se exercitar em um lugar que lhe dá prazer, passe mais tempo com pessoas que lhe fazem bem e estimulam suas melhores virtudes, leia bons livros, aqueles que lhe deixam em órbita viajando de um lugar para o outro, cuide bem da alimentação, perca a linha de vez em quando e faça sexo regularmente, essa ultima é imprescindível para o sucesso do todo. rsrs...

Acima de tudo, deixe seu senso de espiritualidade perpassar todas essas experiências, afinal de contas, nEle vivemos, nos movemos e existimos.

Léo Dias.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Momentos

Ontem tive a felicidade de vivenciar um momento de rara beleza. Pude contemplar o fenômeno de uma estrela cadente do começo ao fim, foram três intensos segundos que se dissiparam rapidamente, deixando um misto de profundo encantamento e frustração.

Ao ver aquela faísca luminosa que descia velozmente como que ao alcance das minhas mãos, meus pelos ouriçaram-se e fui tomando por um arrepio delicioso da planta dos pés até o ultimo fio de cabelo, porém este também durou apenas alguns eternos segundos.

É intrigante, mas me parece que essas sensações foram feitas pra serem experimentadas por pouquíssimo tempo mesmo, e sua graça está exatamente em sua efemeridade, tenho a impressão de que se fosse diferente perderia totalmente o sabor.

Já pensou se um orgasmo durasse uns cinco minutos? Com o tempo ele não teria tanta importância assim. Deve ser por isso mulheres, que um orgasmo múltiplo é como um cometa Halley, quase uma raridade.. rsrs.

Mas vamos ser sinceros, mesmo com toda a frustração devido à fugacidade desses momentos, quem preferiria não tê-los experimentado?  

É por isso que toda vez que eu sinto cheiro “do momento”, eu paro tudo, e coloco meus seis sentidos a disposição para abstrair o máximo que for possível deste.

Então caros caminhantes, sempre que você estiver comigo e de repente perceber que estou longe, devaneando ali e além, ou com um brilho de lagrimas nos olhos ou até mesmo olhando pra você de uma maneira que nunca o fiz antes, não me estranhe, eu devo estar degustando “o momento”.

Seja bem vindo você também, segure minha mão, e juntos cristalizemos “the moments”. 

Léo Dias.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Paixão e Mentiras












Um adolescente muito querido andou me confessando que ele e a namoradinha tiveram que mentir para os pais recentemente e que isso tem se tornado freqüente... E explicou: é que eles não aceitariam, não permitiriam e muito menos nos compreenderiam.

Daí fiquei pensando: é verdade, a paixão é aliada da mentira, e feliz ou infelizmente tem que ser assim. E aqui me lembro da celebre frase de Pascal quando disse que "O coração tem suas razões, que a própria razão desconhece".  Se nossa própria razão desconhece algumas razões do nosso coração, imagine quem não tem razão nenhuma para compreender isso em 

Mas atire a primeira pedra quem nunca foi surpreendido por uma paixonite aguda! Não tem como fugir, do guri (a jovem, a titia) à vovó, todo mundo já foi contaminado por esse vírus. E não pense que isso não volta, ah volta... e não respeita a idade... Foi por isso que o poeta Martinho da Vila, ao ser proibido de ver seu amor já inquiria sua mãe dizendo: “eu vou perguntar, eu vou perguntar a ela se ela nunca namorou”. 

Perdoemos as mentiras dos apaixonados! Não dá pra ser super sincero quando se está vivendo em orbita devaneando em pensamentos e suspiros. É impossível falar a mesma língua dos outros mortais. Na paixão usa-se dialetos.

O raciocínio oscila entre lentidão e pressa nas construções do pensamento, não dá pra acompanhar esse ritmo.  Não cobre sua atenção, concentração, muito menos produtividade. Como você vai cobrar algo de alguém que está sem estar, e que ao mesmo tempo se torna um ser onipresente que teletransporta-se em milésimos de segundos para lugares mil?
Sendo assim a falta de verdade não é fruto de um caráter duvidoso e/ou anti-ético, não; o fato é que o mundo do apaixonado é incompatível com os outros mundos, com isso fica difícil haver uma comunicação compreensível e acessível.

Quer uma dica?

Apaixone-se!

Apaixone-se por alguém, pelo que você faz, por algum lugar, por um hoby, pela vida... Sobretudo apaixone-se pelo Deus poeta autor de tudo... Seja como for, não deixe a frieza das circunstâncias da vida transformar você em uma pessoa cínica às delícias da mesma, pelo contrário, permita incrustar-se como a pérola que derrama sua beleza diante das asperezas dos seus algozes. 

Garanto pra você; assim sua jornada será cheia de surpresas e recomeços. Sempre!!!

Léo Dias.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O Pássaro Pardo













Áh, as surpresas da vida!

Enquanto eles se agrediam com suas buzinas gritantes, por causa da longa fila de engarrafamento, eu ouvia meu mp4 reclinado na poltrona daquele ônibus entediante. Mal sabia eu, o que me aguardava mais a “frente”, foi quando fui surpreendido pelo pouso de um lindo pássaro pardo, tive a sorte sublime dele aparecer pra mim pela segunda vez. 

Foram muitas surpresas juntas... Eu sempre tive uma queda por pássaros coloridos e desprezava aqueles de cores monocromáticas, mas aquele pássaro tinha algo especialmente intenso em sua cor, suas penas pardas brilhavam e me fizeram repensar meu conceito de beleza, graça e vida.

Pensei que eu não conseguiria mais perder o fôlego através da contemplação do belo, ainda bem que aquele pássaro me fez perceber que eu estava muitíssimo enganado.

O engraçado é que ele não precisou cantar, não precisou se exibir fazendo o que todos fazem, simplesmente ser pássaro foi o suficiente para me arremessar à sensações que ha muito não vivia, sensações da adolescência.  

Apesar de não durar muito tempo, foi tempo suficiente para me fazer entender que a vida é cheia de possibilidades, ora, mais eu já sabia disso! Eu pensei que eu sabia, mas sempre que pensava em possibilidades eu não incluía algumas, essas pra mim já estavam no campo dos impossíveis.

É assim mesmo, acreditar no impossível/possível fora de nós é fácil, mesmo que nunca alcancemos,  ainda assim é fácil; difícil mesmo é crer no possível/impossível que está dentro de nós. Estou falando da disposição de crer que os começos e recomeços são possíveis, que você pode amar de um jeito novo alguém que está ao seu lado a muitos anos, ou que pode aprender a amar um outro alguém. Que você pode se superar, se emocionar  novamente, chorar de alegria, se arrepiar de ternura, ser criança...

A beleza da vida está exatamente nesse constante refazer-se, repensar-se e outros rés mais... rs Porém pra isso, é necessário muita coragem, pois com o tempo o gesso das nossas dores não superadas nos imobilizam.

 O que eu não sabia era de onde vinha essa coragem; foi aí que o pássaro me ensinou pelo menos um primeiro motivo, o encanto. 

Um simples pássaro pardo, tanta vida! É possível, deixe-se encantar!!! 

Léo Dias

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

De graça na Graça



Dei gratiaGerar, sustentar e manter a vida em amor, imerecidamente.

A tentativa de retribuir e achar que é mérito nosso o sublime e gracioso amor de Deus será sempre uma armadilha em potencial a encapsula-se na religiosidade fria e teologia medíocre e desumana da interpretação da vida por causa e efeito.

Jesus veio dissipar de nós o sentimento de eternos endividados e culpados por uma consciência construída baseada no senso bifurco do certo e errado e derramar em nosso interior sede de vida.

Viver de graça na Graça é ter a consciência inundada de gratidão e convicção de que somos frutos de um Deus que transbordou em amor e que por ser encantado revelou-se cedendo espaço para nossa existência livre.

Que me perdoe os teologicamente corretos, mas a ultima cena que me assaltou e me fez pensar sobre viver de graça na Graça foi a de um bêbado que estava entre tropeços e gargalhadas passando pela rua. Fiquei observando a inocência e desprendimento daquele encachaçado a se divertir com seus próprios percalços; ele estava de graça!!! Acessível a quem quisesse se aproximar e ávido por uma parceria.

Naquele momento percebi que para não desvalorizarmos o preço impagável (pago) da graça deveríamos viver como aquele cidadão. Não estou falando de irreverência, displicência e irresponsabilidade; não, estou falando de contentamento confiante, franqueza, abertura, entrega.

Quem ta de graça não é dono de nada e sabe que tem tudo, não tem nem um tipo de meta para alcançar aceitação nem significado dos outros, apesar de saber que é uma obra inacabada e pode ser alguém bem melhor, e ver no próximo um amigo em potencial e no amigo um tesouro imensurável.

Quem ta de graça sabe que alguns tombos levados, apesar de evitáveis e das cicatrizes deixadas, encontram no colo do Deus da Graça amor e misericórdia suficientes para levantar e seguir celebrando com outros pinguços da jornada. 

Quando você me ver de graça cole comigo na Graça. rs 

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Frase Emblemática



Essa é do irmão de um amigo meu...


É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um crente entrar no reino dos céus... rsrs

Calma! Não precisa desespero, lembrem-se do arremate de Jesus: Nada é impossível para Deus.

AMÉM!!!

sexta-feira, 22 de julho de 2011


Somos

 essencialmente

 livres 

e

 inexoravelmente

 cativos

 marionetes 

dos

 deuses

 criados 

por 

nós 

mesmos 

quarta-feira, 22 de junho de 2011

¿e quando...?!


E quando o medo se vai...?!

E quando eleva-se o desejo...?!

E quando o tempo desacelera...?!

E quando nada tem sentido...?!

E quando tudo é intuição...?!

E quando sentimentos se dissolvem...?!

E quando só há duvidas...?!

E quando dói...?!



É aí que sinto aroma de vida. 

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Relacionamento : Arte de lembrar e esquecer – Parte 2

 Lembrar somente não será suficiente para que a relação dure muito tempo. Como tudo na vida, precisamos ter flexibilidade e habilidade para sabermos a hora e o tempo das coisas e, também, saber que a vida não é tão linear como parece, é preciso saber esquecer também. Descobri isso quando li que a memória é o estômago da mente. Para ali vão às comidas mais variadas, umas saborosas e de digestão fácil, outras amargas e impossíveis de serem digeridas. Quando isso acontece, o corpo se contorce e enjoa, e coisa alguma é capaz de fazê-lo feliz. Até que o próprio corpo se aplica o remédio, vomita, e assim se livra da comida que o fazia sofrer. Memória, estômago: há nela coisas que precisam ser vomitadas, para que corpo possa de novo se alegrar. Pois o esquecimento é a memória vomitando o que faz o corpo sofrer. 

É preciso esquecer para poder ver com clareza. É preciso esquecer para que os olhos possam ver a beleza. As Sagradas Escrituras contam a saga da mulher de Ló. Deus permitiu que o casal fugisse das cidades amaldiçoadas de Sodoma e Gomorra sob a condição de que não olhassem para trás, enquanto o fogo do céu as consumia. A mulher não resistiu à curiosidade, olhou para trás, e foi transformada em estátua de sal. Quem fica com os olhos fixados no passado de forma totalitária, se torna incapaz de ver o presente. E quem não tem olhos para o presente está morto.
Alberto Caeiro diz que o essencial é saber ver/ uma aprendizagem de desaprender/ Saber ver sem estar a pensar/ Saber ver quando se vê/ Ver com o pasmo essencial que tem uma criança, ao nascer/ Sentir-se nascido a cada momento/ para a eterna novidade do mundo... 
O desafio que esta diante de nós é o de sempre aprender um com o outro, e conseqüentemente com a vida. Repetindo uma palavra que amigo meu gosta muito de dizer; sejam ensináveis. Aprendam novamente e, quem sabe, desaprendam para aprender. Ouçam o conselho de um sábio escritor que disse: Tomem um banho. Deixem a água correr pelo corpo... Sentir os detritos do passado se despregando, e entrando pelo ralo. Recuperar o corpo sem memória da criança, para ver o mundo como se fosse à primeira vez... 
Li uma parábola de uma casa que tinha sido pintada inúmeras vezes e, que quando se raspava uma camada de tinta iam aparecendo outras e mais outras, até chegar à pintura de origem. Assim somos nós, cheios de camadas de pinturas que a vida nos impõe. Precisamos ajudarmos mutuamente a tirar as camadas um do outro, para de fato saber quem somos, pois tenho certeza que gostaremos de nos conhecermos na essência. Somos criação de Deus, com capa cascuda do mundo, cheios de preconceitos, artimanhas e maquinações que camufla a nossa beleza interior. 
Entendam que o passado determina o futuro, mas não no sentido de ser repetido, mas lembrado, ou quando necessário esquecido. Acredito que todos nós temos muitas coisas que gostamos de lembrar, e algumas que queremos esquecer para seguir em frente. Assumindo ou não, sempre será assim. Esquecer, podemos considerar como um conjunto de Rés, parecendo uma nota musical: Ré - fazer, ré - pensar, ré – analisar, ré – conhecer, ré – construir, e até mesmo perdoar, o que muitos de nós precisamos aprender novamente a fazer, e sempre precisaremos disso. 
Dito tudo isso, digo a todos que vão em frente, sejam felizes. Amem-se, vivam. Não sejam tímidos, pois como diz o ditado: O amor é lindo, ou seja, torna tudo lindo. Não aceitem conselhos pessimistas, principalmente de quem acha que sabe alguma coisa, pois estamos todos neste mundo de meu Deus aprendendo, sempre aprendendo. Sei que sabemos o que precisamos esquecer e com certeza não será do outro, pois a saudade não deixará. Segundo Ruben Alves: No buraco da saudade mora a memória daquilo que amamos, tivemos e perdemos: presença de uma ausência.
Para concluir, peço que vivam intensamente, vivam o que Drummond chama de Inconfesso Desejo,ler poesia, pois o tempo urge, foge. Como já dizia o tio de um amigo meu: 
Quem sabe que o tempo está fugindo descobre, subitamente, a beleza única do momento que nunca mais será. R. Alves
Isso aqui só foi um dos meus devaneios, tenho isso de vez em quando, e encontrei um doido que teve coragem de publicar... Rsrsrsrsrsrsrs. Saibam que não é nenhum texto bem elaborado para ser publicado, e sim um diário pessoal, ou era né? Quem sabe uma homenagem a você do dia dos namorados?! kkkkkkkkkk.


Jefinho Silva

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Relacionamento: Arte de Lembrar e Esquecer - Parte 1

 O acontecimento milagroso de Jesus em um casamento marca o início de suas ações miraculosas, e, constantemente nos lembramos dele quando estamos diante de tal acontecimento. A Bíblia nos desafia a sempre nos lembrarmos dos atos do passado para trazer luz aos acontecimentos do presente, confesso que gosto muito dessa face bíblica. Lembro-me agora da celebre frase de Jesus ao celebrar a ceia; Fazei isto em memória de mim, ou seja, lembrem-se.

Lembre-se também que Jesus foi um dos convidados para esta festa. E ele não somente se divertiu com os noivos, mas, foi fundamental na manutenção da relação, ou seja, se vocês convidarem Jesus para a festa de casamento de vocês, digo a relação, ele estará disposto a transformar novamente a água em vinho quando necessário para que esta festa não acabe. 

No casamento, ou na relação, o processo não deve ser diferente. Posso imaginar as sagradas escrituras da vida dizendo para dois que se amam; lembrem-se. Lembrem-se do dia em que se conheceram; lembrem-se do dia em que descobriram que havia um pouco mais em vocês dois do que somente amizade; lembrem-se do primeiro beijo; da primeira saidinha; lembrem-se da primeira declaração de amor; lembrem-se da primeira promessa; lembrem-se dos momentos que passaram juntos; lembrem-se do olhar que disse o que um significava para o outro; lembrem-se um do outro; Esta aí o primeiro desafio. 

Abro um parêntese para falar sobre o olhar. Segundo Ruben Alves, nós “amamos uma pessoa não pela beleza que existe nela, e sim pela beleza nossa que aparece refletida nos olhos dela” (Rubem Alves).

Gosto de contar casos, que é um jeito de dar aos outros pedaços da minha vida que o tempo já matou e enterrou, mas que a maga memória faz ressuscitar. Disse Adélia Prado: Aquilo que a memória amou fica eterno, e eu não me canso de repetir. A memória é a presença da eternidade em mim. 

Ainda falando de memória, certo homem na Bíblia disse que é nela que moram os segredos da vida e da morte. O povo de Israel é conhecido como um povo que anda pra frente, mas olhando para trás, pois eles não cansavam de repetir; O Deus que nos tirou da terra do Egito, da terra da escravidão; O Deus de Abraão, Isaque e Jacó; O Deus que fez... Tudo isso, nada mais é do que lembrar-se para seguir adiante.

Enfim, o desafio de lembrar-se esta diante de nossos olhos, da vida, do relacionamento, enfim, de tudo. Lembrem-se, lembrem-se, e lembrem-se. rsrsrsrs

[Continua...]

Jefinho Silva

sexta-feira, 27 de maio de 2011

“Sine Cera”

Segundo o Dicionário Universal da Língua Portuguesa, a palavra sincero vem do latim sinceru, (puro) e quer dizer “verdadeiro; que diz francamente o que sente; em que não há disfarce ou malícia; leal; simples.”
Etimologicamente, a palavra vem de sincera, que é a junção de duas outras palavras do latim, “sine cera” e foi inicialmente utilizada pelos romanos. Isso porque os artesãos ao fabricarem vasos de barro, muitos rachavam-se e para esconder tais defeitos, era usando para tal uma cera especial. “Sine cera” queria dizer “sem cera”, que era a qualidade esperada de um vaso perfeito, muito fino, que deixava ver através de suas paredes aquilo que guardava dentro de si. O vocábulo sincero evoluiu e passou a ter um significado muito elevado. Sincero, é aquele que é franco, leal, verdadeiro, que não oculta, que não usa disfarces, malícias ou dissimulações. Aquele que é sincero, como acontecia com o vaso, deixa ver através de suas palavras aquilo que está guardado em seu coração, sem nada temer nem ocultar.
Sinceridade e autenticidade sempre foram como íma a me atrair às pessoas. O aroma dessa virtude me é inebriantemente afável.
Encantam-me as pessoas que se embrenham pela vida e a experimentam como alguém que pesquisa sabores, descobre novos paladares, novas sensações... Sim, reconheço, torno-me facilmente fã daqueles que mesmo diante de incontáveis experiências e profundo conhecimento prático e teórico fruto de um espírito motivado pela incessante busca do saber viver, mostram-se cheios de duvidas, receios e incertezas... Dou facilmente a mão para caminhar sobre o entulho das desconstruções provocadas pelas novas descobertas e constantes metamorfoses dos corajosamente instáveis.
Porém, tem ainda mais eco em mim, o desabafo dos reconhecidamente equivocados. Aqueles que dizem: Caramba... Acho que entendi a fórmula, porém errei na dosagem!!!
Creio que para evitar ou contornar sérios transtornos em nossa jornada, precisamos antes de tudo tirar a cera (“sem cera”) de nós mesmo, trata-se de uma auto-sinceridade. Reconhecer as reais possibilidades dos enganos, das distorções de valores essencialmente adequados, todavia mal interpretados sutilmente para legitimar anseios submersos na alma e ter coragem de dialogar com nossos demônios interiores travestidos de anjos ternos.
Descobri que há um sentimento que pode ser excelente catalizador para forjar O encontro face-a-face do Eu X Eu’s; o nome dele é constrangimento. Estou falando do constrangimento construtivo que pode ser gerado de duas formas. A primeira é diante da perplexidade e dor do outro causada por nós; a segunda e ainda pior que a primeira é perante o acolhimento e compreensão do mesmo sobre nós.
É aqui que você descobre o que me ensinou um grande amigo numa dessas mesas redondamente saborosas e significativas. Ele disse: “Léo, não existe base teórica alguma, que legitime um comportamento que traga sofrimento ao outro”. M. F.  
Quem pensa o contrário, pode ter perdido a sinceridade consigo mesmo, ou pode estar sinceramente enganado.
Léo Dias.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Do meu silêncio


Quando

 o 

fim

 é

VIDA,

 é

 possível

 enxergar

 beleza

 num 

dia

 de

 chuva,

 se

 encantar

 com

 o 

fechar-se

 de

 uma

 flor

 e 

ouvir

 no 

silêncio

 as

 melodias

 compostas

 pela

 alma.  

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Senhora Liberdade

Minha inspiração pra escrever muitas vezes parte dos meus dilemas e momentos de decisão. Por isso, hoje tô afim de hablar sobre liberdade; mas confesso que pautar qualquer vírgula sobre esse assunto é um exercício tão complexo que eu já apaguei dois insights anteriores tentando introduzir este tema.

Logo percebi que a dificuldade se dá devido ao fato de saber que sempre que esta senhora entra em cena, começa-se uma “brincadeira” de cabo de guerra onde dois lados guerreiam para ter a madame a seu favor.

De um lado os defensores da “ética, moral e dos bons costumes”, puxam indelicadamente o braço da dama afirmando que se a mesma veio para o baile, ela só pode dançar com um moço distinto, bem trajado e alinhado. Já o outro lado, com não menos agressividade, puxa o outro braço da coitada afirmando que a moderna senhora dança com todos e em qualquer ritmo. 

Lembrei-me agora de dois grandes dançarinos que bailaram em ritmos diferentes com a mesma dama. Se de um lado Sartre disse que “ser-se livre não é fazermos aquilo que queremos, mas querer-se aquilo que se pode”... Por outro Gandhi afirmou que “de nada vale a liberdade se não temos liberdade de errar”. Eu poderia citar alguns amigos blogueiros aqui que também tem distintas opiniões formadas a respeito desta senhora, mas não vou fazê-lo pra não assumir partido.

Mas antes que seja tachado de covarde quero deixar bem claro em que cadência eu entro na roda com essa habilidosa bailarina.

Na verdade eu sou de todo mundo sem ser de ninguém, dessa forma no final todo mundo é meu também.

Intuo que a dona liberdade dança com e na vida e seu convite é sempre que nos tornemos pessoas melhores independente de erros e acertos; na verdade pra ela nem existe essa bifurcação, o que existe é a jornada, o caminho, que pode ser encontrado ou inventado.    

Sendo assim, penso que está totalmente des-ritmado tanto quem fazendo uso dessa virtude, desumaniza-se com atitudes sórdidas que conseqüentemente coisifica o outro; quanto quem acha ser dono da verdade por caminhar por trilhos pré-definidos e aparentemente seguros, mas que no final das contas minam seu desenvolvimento como ser-na-existência.

Liberdade pra mim é poder cogitar diversas escolhas, existentes e inexistentes, apesar do peso do concreto do verdade/mentira, certo/errado já sedimentado na história.

Mas como disse Cecília Meireles, "liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda". Então espero que você tenha entendido o que eu não sei explicar. (risos)...

Apesar disso tudo, me tranqüiliza saber que a senhora liberdade não é tão exigente quanto eu sou a mim mesmo, ela dança também com desengonçados e desajeitados como eu. A sua única exigência, é que para não pisar no seu pé, se escolha o compasso certo, e seja em que ritmo for  que seja sempre na cadência do amor.



Léo Dias.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Ciúme



Uma

brutal 

insegurança

motivada 

por 

uma 

profunda 

consciência 

de 

que

alguém

pode

oferecer

algo 

que 

eu 

também

tenho

mas

não


o

dou 

àquele

que 

eu 

desejo 

manter 

possuído.  


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