sexta-feira, 29 de abril de 2011

Senhora Liberdade

Minha inspiração pra escrever muitas vezes parte dos meus dilemas e momentos de decisão. Por isso, hoje tô afim de hablar sobre liberdade; mas confesso que pautar qualquer vírgula sobre esse assunto é um exercício tão complexo que eu já apaguei dois insights anteriores tentando introduzir este tema.

Logo percebi que a dificuldade se dá devido ao fato de saber que sempre que esta senhora entra em cena, começa-se uma “brincadeira” de cabo de guerra onde dois lados guerreiam para ter a madame a seu favor.

De um lado os defensores da “ética, moral e dos bons costumes”, puxam indelicadamente o braço da dama afirmando que se a mesma veio para o baile, ela só pode dançar com um moço distinto, bem trajado e alinhado. Já o outro lado, com não menos agressividade, puxa o outro braço da coitada afirmando que a moderna senhora dança com todos e em qualquer ritmo. 

Lembrei-me agora de dois grandes dançarinos que bailaram em ritmos diferentes com a mesma dama. Se de um lado Sartre disse que “ser-se livre não é fazermos aquilo que queremos, mas querer-se aquilo que se pode”... Por outro Gandhi afirmou que “de nada vale a liberdade se não temos liberdade de errar”. Eu poderia citar alguns amigos blogueiros aqui que também tem distintas opiniões formadas a respeito desta senhora, mas não vou fazê-lo pra não assumir partido.

Mas antes que seja tachado de covarde quero deixar bem claro em que cadência eu entro na roda com essa habilidosa bailarina.

Na verdade eu sou de todo mundo sem ser de ninguém, dessa forma no final todo mundo é meu também.

Intuo que a dona liberdade dança com e na vida e seu convite é sempre que nos tornemos pessoas melhores independente de erros e acertos; na verdade pra ela nem existe essa bifurcação, o que existe é a jornada, o caminho, que pode ser encontrado ou inventado.    

Sendo assim, penso que está totalmente des-ritmado tanto quem fazendo uso dessa virtude, desumaniza-se com atitudes sórdidas que conseqüentemente coisifica o outro; quanto quem acha ser dono da verdade por caminhar por trilhos pré-definidos e aparentemente seguros, mas que no final das contas minam seu desenvolvimento como ser-na-existência.

Liberdade pra mim é poder cogitar diversas escolhas, existentes e inexistentes, apesar do peso do concreto do verdade/mentira, certo/errado já sedimentado na história.

Mas como disse Cecília Meireles, "liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda". Então espero que você tenha entendido o que eu não sei explicar. (risos)...

Apesar disso tudo, me tranqüiliza saber que a senhora liberdade não é tão exigente quanto eu sou a mim mesmo, ela dança também com desengonçados e desajeitados como eu. A sua única exigência, é que para não pisar no seu pé, se escolha o compasso certo, e seja em que ritmo for  que seja sempre na cadência do amor.



Léo Dias.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Ciúme



Uma

brutal 

insegurança

motivada 

por 

uma 

profunda 

consciência 

de 

que

alguém

pode

oferecer

algo 

que 

eu 

também

tenho

mas

não


o

dou 

àquele

que 

eu 

desejo 

manter 

possuído.  


sexta-feira, 8 de abril de 2011


Só quem já estava “morto” é capaz de decepar vidas ainda no broto de seus sonhos.

Wellington era uma vida sem vida que resolveu berrar suas angústias com um berro na mão...

Mas o eco desse grito ta doendo demais!!!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

“Recolhei tudo para que nada se perca.”

Com o título na cabeça, empenhava-me com grande esforço, para distribuir os meus pães e peixes do milagre em forma de versos, a final, esta foi à ordem inequívoca do meu mestre: “Dai-lhes vós de comer.” Mc 6:37 parte c, e não podia negligenciá-la.

Sem ser convidados para ouvir o sermão, mulheres, homens e crianças que aos poucos foram aglomerando-se em um lugar deserto, em torno de Jesus e seus discípulos, e logo se formou uma grande multidão que diligentemente começou ouvir as palavras do mestre; que lhes transmitiam um amor nunca antes sentido. Corações outrora amontoado de ódio, magoa e rancor, dilui-se com suas doces palavras de salvação e (AMOR ETERNO), suavizando suas dores, seus traumas e suas percas. A multidão estava tão compenetrada nas palavras de Jesus que não se assentaram nem mesmo perceberam o raiá do dia.  Foi quando os discípulos exercendo preocupações do que se configurara disseram: o “lugar é deserto, e o dia está já muito adiantado. Despede-os, para que vão aos lugares e aldeias circunvizinhas, e comprem pão para si; porque não têm que comer.”

Com uma gigantesca perplexidade em suas almas, receberam a resposta “dai-lhes vós de comer.” Como foi grande a incredulidade dos amados discípulos que replicaram “onde compraremos pães para estes comerem”? Acrescentaram que duzentos dinheiros não seriam suficientes para dividirem entre eles de modo que cada um recebesse um pouco.

Com tudo, a provisão divina trabalha muito antes das necessidades. Para surpresa deles alguém dentre a multidão faminta, entrega aos discípulos, cincos pães de cevada e dois peixinhos. Disse Jesus: “tragam aqui”, mandou que os discípulos acomodassem a multidão fazendo com que se assentassem na relva em grupos de cinqüenta ou cem; para que harmoniosamente fossem testemunhas oculares do que estava para acontecer, sendo assim, Jesus tomou os pães e os peixinhos, deu graças a Deus e (CONFIOU AOS SEUS DISCIPULOS REPARTIR), todos comeram e ficaram saciados. Sobejaram ainda dozes cesto de pães e peixe. Disse Jesus: "recolhei tudo para que nada se perca.

Acredito que a maior lição, empregada neste evento, mais intensa do que até a própria multiplicação é esta: "recolhei tudo para que nada se perca", é lembrar-se daqueles que não puderam  está conosco, por causa de uma questão física ou emocional, das mazelas da vida e das circunstâncias que causam impossibilidades, “recolhei tudo para que nada se perca” é lembra-se das Ana, Isabel, Sara, e tantas outras que não teve o Emanuel, Samuel, João Batista e Isaque.

É lembra-se de mães que teve que enterra o seu milagre, "recolhei tudo para que nada se perca. É colocarmos dentro dos nossos cestos; os pães e peixes do milagre e distribuir por todos os cantos do mundo. É entregar nos palácios, nas palafitas, nos becos e vielas espalhados pelo nosso mundão. "Recolhei tudo para que nada se perca, é saírmos do nosso palácio chamado igreja, e irmos às multidões que não tem pastor. É não simularmos um falso (IDE).

"Recolhei tudo para que nada se perca", é entregar o que temos. E como somos limitados em cincos pães e dois peixinhos, é isso que temos que entregar para que recebamos de Deus alimento suficiente para alimentar quem cruzar nosso caminho, assim como o bom samaritano alimentou quem cruzou o seu.
"Recolhei tudo para que nada se perca" é não negligenciar aqueles que vivem á margem em condições difíceis, como: prostituição, tráficos de drogas, etc, em nosso bairro e cidades, esperando que outros venham resolver: “Dai-lhes vós de comer.
"Recolhei tudo para que nada se perca", recolher dentro dos nossos cestos, TUDO mais TUDO mesmo que sobejou em nossas vidas.

 "CONFIOU AOS SEUS DICIPULOS REPARTIR"

Disse: Mahatma Gandhi “Se você tem o que não precisa, você é um LADRÃO”

Disse: Jesus “espalhou deu os pobres.”
Daí, e ser- vos-á dado
“Dai-lhes vós de comer.”

Essa reflexão é um dos primeiros ensaios reflexivos de Djavan Lopez, o mais novo blogueiro a entrar na blogosfera... rs  Dê um pulinho no espaço do Dja, ta muito massa!!!


Forte abraço em todos!

quinta-feira, 3 de março de 2011

Vôos e Gaiolas

“O desafio constante das relações humanas é preservar a liberdade das pessoas. Quando a liberdade é negada, a relação passa a representar um sério risco, porque atenta diretamente contra a fonte geradora da pessoa. Não há pessoa sem a experiência da liberdade”Fábio de Melo

Pensando sobre a experiência da liberdade nos relacionamentos fui arremessado à lembrança de um fato que me ocorreu ainda na infância. Lembro-me que quando garoto, na minha vizinhança morava um rapaz louco por pássaros, ele os colecionava engaiolados pendurados à frente de sua casa. Eram cinco pássaros cada um com sua gaiola particular e suas individualidades de cores e cantos.

Com o passar do tempo notei algo estranho, percebi que os pássaros que estavam livres nas árvores que ficavam ao redor do campinho onde eu e meus amiguinhos jogávamos futebol tinham cores mais vibrantes e a tonalidade de seus cantos era mais alta e mais firme comparado aos pássaros que viviam engaiolados daquele meu vizinho. 


Um dia na minha inocência infantil, enquanto ele limpava a gaiola de um deles, eu perguntei: por que eles estão presos nessas gaiolas? Ao que ele me respondeu friamente: menino, você não entende nada de canto de pássaros, quando você crescer vai entender que quanto mais belo o canto mais valiosos eles são e por isso estão aqui para cantar pra mim todos os dias; veja! Ele está bem, têm comida, bebida, vitaminas, que mais ele poderia querer? Eu, com minha voz tímida respondi instantaneamente: voar talvez. Aquele rapaz baixou a cabeça rindo sarcasticamente de mim, e pendurou o pássaro novamente no seu monótono lugar.  

Foi então que eu tive um belo plano; quando voltar da escola amanhã vou esperar ele sair pro trabalho e vou libertá-los.

O plano era maravilhoso, e eu consegui executá-lo com perfeição apesar da adrenalina, mas eu fui surpreendido por uma triste realidade; após ter aberto as portinhas das cinco gaiolas e esperar com expectativa o vôo de liberdade daqueles pássaros notei que três deles não queriam sair das gaiolas e os outros dois que saíram, devido ao tempo de cativeiro não conseguiam mais voar, tornando-se assim presas fáceis para seus predadores, pois o máximo que eles conseguiram foi dar curtos saltos.

Assim como esses pássaros, somos muitas vezes atraídos para alçapões com delicias que nos são oferecidas em troca da nossa mais intima subjetiva, nossa liberdade, a capacidade de alçar vôos e cantar as belezas da vida encantando a nós mesmos e a quem mais for livre. 

Somos atraídos por promessas de felicidade instantânea, amores eternos, fidelidades insuspeitas e alegria constante e quando menos percebemos roubam-nos de nós mesmos nos tirando a matriz geradora do potencial de amar; nosso direito de ir e vir, de voar.

O problema é que essas armadilhas são extremamente sutis e se escondem onde menos esperamos; as vezes nos braços de uma amada, numa religião, numa amizade e principalmente em ideologias.  Independente do perfil da gaiola o final é sempre o mesmo, reclusão. 

Pra quem está a tanto tempo preso, mas ainda tem vontade de voar, pois percebe que isso implica sua própria felicidade, eu sugiro um trecho do que cantou nosso poeta Djavan... 

"Me deram uma gaiola como casa, amarram minhas asas e disseram para eu ser feliz; mas como eu posso ser feliz num viveiro, se ninguém pode ser feliz sem voar?

Ah, se todo mundo pudesse saber como é fácil viver fora dessa prisão e descobrisse que a tristeza tem fim e a felicidade pode ser simples como um aperto de mão. Entendeu?

É esse o vírus que eu sugiro que você contraia, na procura pela cura da loucura, quem tiver cabeça dura vai morrer na praia".

Não seja cabeça dura, liberte-se!!!

Léo Dias  

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Niver

Eu não sei como é com você, mas normalmente as horas antecedentes e posteriores ao meu aniversário são acompanhadas de sentimentos diversos oscilando entre picos de alegria e reações depressivas.

Em alguns momentos se eu pudesse não veria ninguém, ficaria sozinho, e daria boas vindas a qualquer lagrima que desejasse passear pelo meu rosto.

 Mas, dessa vez eu me precavi contra essa sensação. Antes que ela viesse me cerquei de bons amigos, comi uma boa carne, bati um bom papo acompanhado de um delicioso vinho e ri a beça, porém minha assombração ainda tentou uma ultima investida, me fazendo lembrar das frustrações, incertezas, duvidas, monotonia e culpa, lembra dela? rs...

Foi ai que Deus resolveu pessoalmente reclinar a cabeça sobre meu peito, acariciar meu rosto e dizer: confia em mim, de todos esses sentimentos seus guarde só uma certeza; eu te amo!

Ele fez isso através do meu pequeno Emanuel (Deus comigo) enquanto eu o ninava pra dormir.

Diante dessa manifestação eu disse pra mim mesmo: que venham os amores, as dores e as cores; viverei intensamente os anos que ainda houver, pois a vida é curta e está passando velozmente.


Thank God, I love you too!


P.S - Sugestões de presentes: Estou precisando de um bom perfume, um relógio, cuecas, boné e amo receber abrações, beijões e livros... rsrsrsrs




Léo Dias

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

A culpa Ficou Solteira

O estado de pecado no homem não é um facto, senão apenas a interpretação de um facto, a saber: de um mal-estar fisiológico, considerado sob o ponto de vista moral e religioso. O sentir-se alguém «culpado» e «pecador», não prova que na realidade o esteja, como sentir-se alguém bem não prova que na realidade esteja bem. Recordem-se os famosos processos de bruxaria; naquela época os juízes mais humanos acreditavam que havia culpabilidade; as bruxas também acreditavam; contudo, a culpabilidade não existia.

Friedrich Nietzsche, in 'Genealogia da Moral'




É madrugada, a acústica do banheiro ecoa minhas culpas pelos oito cantos da minha consciência, nesse momento eu me pergunto: de onde vem esse monstro capaz de fazer com que momentos de rara beleza e intenso prazer se transformem em pesadelos sombrios? Quem alimenta essa fera, quem promove seu crescimento a ponto dele se tornar insuportável e aparentemente invencível?  Nesse momento, flashes e reflexos de pessoas queridas aparecem em lampejos na brancura do teto, cada uma com seu olhar, sorriso, manifestação de carinho, veneração, apreço e admiração que beira a idolatria; foi aí que eu percebi que aquilo que eu mais almejava cativar nas pessoas futuramente se tornaria exatamente o combustível dessa engrenagem chamada culpabilidade.

Que paradoxo, aquilo que deveria me alforriar de mim mesmo vem a ser justamente o que me aprisiona. Sim, pois se alguém diz me amar esse amor deveria me emancipar com coragem para aprender a bailar nos movimentos da vida com suas possibilidades diversas. Mas contraditoriamente o que acontece é que eu não consigo VIVER por medo de “decepcionar” quem a mim devota amor; descobri que esse receio que me arrebata na verdade não é de decepcionar, mas sim de não ser amado, de perder a ternura dessas pessoas. Mas que diabo de amor é esse que está o tempo todo sub judice equilibrado sobre essa tênue linha esticada pelo utilitarismo, seria amor ou o mais argucioso egocentrismo infantil? 

Ao perceber isso, notei que os reflexos dos humanos quase angelicais que me observavam se dissolveram em uma nuvem vermelha gotejando pingos de um delicioso vinho aromal, aparei com destreza todos eles no cálice transparente da minha solidão e bebi lenta e ininterruptamente; a sensação após ter libado essa relíquia foi inefável. Sinto não poder compartilhar do sabor, é que esse vinho é feito com fórmulas únicas e deve ser tomado exclusivamente pelos próprios donos. Prepare o seu!

Léo Dias 
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